segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Nova York se torna referência para startups

O título de berço de empresas de tecnologia não é mais exclusivo do Vale do Silício, na Califórnia. Longe das universidades de onde saíram fundadores de empresas como Google e Facebook, Nova York – já conhecida pelo enorme poder financeiro, cultural e midiático – agora se torna também um centro tecnológico.

A cidade já é a terceira região nos EUA que mais recebe investimentos de risco – os chamados fundos de venture capital, que financiam principalmente empresas de internet e tecnologia. E o pos­­to já rendeu à cidade de 19,3 mi­­lhões de habitantes o apelido de Silicon Alley (Beco do Silício), em referência ao Silicon Valley (Vale do Silício) e aos becos nova-iorquinos.

No primeiro semestre, empresas da região metropolitana de Nova York receberam US$ 1,23 bilhão (R$ 2,13 bilhões) em investimentos de risco. O quarto maior investimento deste ano no país, por exemplo, foi para uma empresa de Nova York. O Gilt Groupe, que começou como um clube de compras de peças de grife e hoje tem outros sites comércio eletrônico, recebeu em maio US$ 138 mi­­lhões para expandir o serviço.

Outra empresa que se beneficia das características de Nova York é o site Buzzfeed. Criado em 2008, ele tem entre os cofundadores, Jonah Peretti, o CEO do site. Peretti, que também está entre os criadores do Huffington Post, se dedicou a estudar como o conteúdo produzido para a internet é distribuído na re­­de e quais são as características so­­ciais dessa interação. O Buzzfeed faz isso, reúne o que há de mais po­­pular e recente na internet.

“Nova York é o melhor lugar no mundo para fazer uma startup dedicada a mídia, propaganda, comércio ou finanças. A peça central para romper com essas indústrias são as novas tecnologias”, disse Peretti, que afirma que o próximo passo é criar versões traduzidas do site em cinco línguas – o português é uma das possibilidades. “Estamos tentando decidir qual faz mais sentido.”

Para ele, não há mais diferença entre “cultura da web” e “cultura pop”. “Se algo acontece na mídia de massa, a internet responde com criatividade, a mídia de massa dá a notícia e assim vai. A ideia da web como novidade finalmente acabou e o ciclo está completo”, afirma.

O vice-presidente de mobilidade e internacional do Foursquare, Holger Luedorf, mora no Vale do Silício e viaja a Nova York uma vez por semana. Por isso, conhece as diferenças entre as das duas regiões. “A atmosfera de Nova York é mais vibrante. A comunidade é mui­­to menor e você pode dizer que as pessoas se conhecem mais e melhor, não há tantas startups como no Vale do Silício”, diz.

O prefeito de Nova York, Mi­­chael Bloomberg, é um dos maiores entusiastas da tecnologia. Ele promoveu o Dia do Foursquare em abril e recentemente revelou um plano para criar um grande câmpus universitário de tecnologia na cidade, oferecendo o terreno e in­­vestimentos de US$ 100 milhões em infraestrutura a universidades ou grupos interessados. A prefeitura começou a receber as propostas em julho, e grandes universidades, como Stanford e Cornell, entre ou­­tras, mostraram interesse em desenvolver o projeto.

Oportunidades

Brasileiros aproveitam a onda de investimentos e abrem empresas

Entre os brasileiros que estão participando deste boom de startups em Nova York, está o paulistano Adriano Blanaru, de 33 anos. Ele é um dos fundadores de uma nova empresa que também começou em Nova York: o site Clipik, um serviço online para pessoas que querem um vídeo editado profissionalmente a partir de filmes e fotos próprios. O site recebe as imagens e contrata editores de vídeo ao redor do mundo para fazer o trabalho individualmente, no modelo conhecido como crowdsourcing.

Depois de se cansar de trabalhar na área financeira em São Paulo, Adriano foi fazer um MBA na Filadélfia em 2007 e lá conheceu os sócios do novo site. Sua esposa também começou a trabalhar com colegas da turma dele, que eram de Nova York e estavam montando a loja online Warby Parker, que vende óculos e armações com design vintage. O casal se mudou para a cidade há um ano e meio, acompanhando o crescimento do novo empreendimento dos colegas e onde Blanaru fundou o Clipik. “Há cinco, dez anos, Nova York nem aparecia no mapa de startups nos EUA. Hoje já é definitivamente o segundo polo do país”, afirma.

Para ele, há duas razões para o crescimento: a crise financeira de 2008 – que aumentou o desemprego, reduziu salários e, assim, incentivou as pessoas a deixar os empregos para criar negócios próprios –, e a atenção gerada por novas empresas de internet, como Facebook, Twitter e Groupon, que surgiram depois da crise da bolha da internet em 2000.

A brasileira Bedy Yang é uma das que também se beneficiou desse crescente interesse em novos empreendimentos on-line. Ela é fundadora do grupo Brazil Innovators, cujo principal objetivo é ajudar startups de São Paulo a conseguir entrar em contato com investidores e outras empresas do Vale do Silício. A iniciativa gerou três investimentos em startups brasileiras e, com os eventos mensais como o BR New Tech, organizado por ela, os novos negócios no Brasil estão chamando cada vez mais atenção.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/tecnologia/conteudo.phtml?tl=1&id=1173178&tit=Nova-York-se-torna-referencia-para-startups