terça-feira, 1 de setembro de 2015

Migrar Flash para HTML5, dúvidas e esclarecimentos

Prezados,
Alguns clientes e usuários das plataformas Maven questionaram hoje em relação à desativação do plugin Flash no Google Chrome então nós buscamos mais informações para esclarecer alguns pontos. Primeiramente se você possui a versão Flash do seu jornal ou revista saiba que já possível habilitar e trocar para a versão HTML5, sem qualquer custo ou desenvolvimento adicional. No entanto o seu visualizador em flash não irá deixar de funcionar, pelo menos por enquanto.
Buscamos uma referência na internet para elucidar essa questão e encontramos este excelente artigo escrito por Guilherme Augusti Negri da empresa OKNOK. (www.oknok.com.br) que reproduzimos abaixo na íntegra a partir do blog da SOFIST.
Em 4 de Junho de 2015 o engenheiro do Google Tommy Lipublicou uma nota no blog oficial do Chrome notificando a decisão de que a partir de Setembro de 2015 os conteúdos em Flash serão pausados no Chrome.
A notícia pegou o mercado de surpresa, já que todos esperavam uma transição mais tranquila do Flash para o HTML5. Com essa decisão o Google acelerou a migração e deixou muitas dúvidas no ar, pois a mudança de tecnologia impacta o processo de veículos, produtoras, agências, adservers e todo o ecossistema de media display.
Nós reunimos as perguntas mais recorrentes que recebemos dos clientes do OKNOK e compartilhamos abaixo:

#1 – Na prática: O que vai acontecer com os Anúncios em Flash?


chrome-flash-1

A partir de Agosto de 2015 a nova versão do Google Chrome irá identificar e classificar os conteúdos em Flash, pausando os conteúdos que não julgar importantes.
Na prática, a maioria dos banners em Flash serão pausados.  A animação do banner é pausada em seus primeiros frames e um botão de play é exibido para o usuário; ao clicar neste botão, a animação é exibida. Para que o usuário visite a página do anunciante serão necessários dois cliques no banner.
Além da óbvia queda da entrega dos banners, o impacto nos cliques é imenso.
Na versão Beta do Chrome, onde os banners já estão sendo pausados, 95% dos usuários simplesmente não clicaram no banner.” Caio Tormin – Treinamento de HTML5 no Google
Como padrão, esta funcionalidade estará ativa e a decisão de pausar ou não o banner é do Chrome. O usuário pode habilitar a livre execução das animações, mas não é simples, sendo necessário acessar as configurações avançadas do Chrome.
Veja o impacto em alguns veículos brasileiros:
UOL ANTES
uol-antes
UOL DEPOIS
uol-depois
IG ANTES
ig-antes
IG DEPOIS
ig-depois

#2 – Como o Chrome decide se um banner será pausado ou não?


palestra-google
Caio Tormin na palestra realizada na sede do Google em São Paulo
Este é um dos pontos mais obscuros da migração. Até o momento não existe nenhum documento oficial explicitando como o Google vai decidir se o conteúdo em Flash deve ser pausado ou não.
Na palestra realizada no Google o palestrante Caio Tormin foi perguntado sobre o assunto. Ele informou que o Google soltará mais detalhes nos próximos meses e antecipou alguns dos critérios que já são usados:
  • O contexto em que o Flash está inserido na página: Se  o conteúdo em Flash for a peça principal da página ele será exibido, caso não ele será pausado.
    • Se a página exibir um vídeo carregado em Flash, centralizado e é o objeto principal da página, ele será exibido.
    • Se for um conteúdo periférico na página, como são todos os banners, ele será pausado.
  • Se o Flash for carregado por requisições externas será pausado. Se a peça em Flash estiver hospedada fora do servidor do veículo acessado ele será pausado. A grande maioria dos banners são hospedadas em Adservers, logo serão pausados.
A melhor maneira pra checar se o Flash será exibido é simular como o Google vai interpretar seu conteúdo. Abaixo um passo a passo pra você começar a testar.
  1. Faça o download do Chrome Beta, a partir da versão 45 –  Link para download.
  2. Digite na barra de endereços: chrome://flags/#enable-plugin-power-saver
  3. Busque a opção Ativar o Plug-in Poupança de Energia e defina como Ativada

passoapasso

#3 – Qual a explicação do Google para esta mudança?

De acordo com o Google, estas são as principais motivações para pausar o Flash no Chrome:
  • Alto consumo de processamento do computador e de bateria;
  • Vulnerabilidades de segurança;
  • Necessidade de plugin (constantemente atualizado);
  • Maior parte de players de vídeo já foi convertida para HTML5.

#4 – Qual a posição dos demais browsers?


browsers
Uso de browsers no mundo, dado da W3SCHOOLS referente a Junho de 2015
FirefoxApós um grave problema de segurança no Flash, o Firefox bloqueou o plugin na primeira quinzena de Julho, diferente do Chrome que pausa os banners, o Firefox simplesmente bloqueia o plugin e não permite sua execução. Após atualização do Flash, corrigindo as falhas de segurança  já é possível instalar o Flash no Firefox, mas por padrão o plugin não é instalado.
SafariO navegador da Apple não permite a execução de versões antigas do Flash, bloqueando as animações e alertando os usuários para que o plugin seja atualizado. Ainda não existe uma posição clara da Apple em relação ao movimento do Google, mas o que é esperado é que em breve a empresa se posicione e siga o movimento do Google.
Internet ExplorerA Microsoft não se pronunciou sobre o assunto. Além do Internet Explorer a empresa acaba de lançar o browser Edge (Spartan) que é nativo do Windows 10. O que já é possível saber é que o Edge disponibiliza uma opção para desativar o Flash.
Na prática o que já se sabe é que o Chrome e o Firefox, que juntos representam 86,1% dos usuários terão grandes restrições ao Flash. Logo a expectativa é que os demais browsers sigam pelo mesmo caminho.

#5 – Como os veículos no Brasil estão se adaptando para este novo cenário?

Essa é uma das principais preocupações das agências, afinal, quem já esta preparado para aceitar html5? Quais formatos? Como devo enviar? Como ficam a especificações?
Na palestra o Google deixou claro que apenas responde por suas especificações e que, apesar de realizar palestras para os veículos, não soube informar como os mesmos estão se adaptando.
A IAB (Interactive Advertising Bureau‎) ainda não lançou nenhum documento oficial ou guias de boas práticas sobre o HTML5. Em nossas pesquisas a organização apenas disponibilizou um guia que foi feito em 2013 e que está taxado como rascunho.
Em uma mesa redonda organizada pelo DoubleClick, Brian Hoskins do digital da ESPN comentou:
transition-dcm
Eu não espero que o set de standards (guia) seja lançado pela IAB antes do fim do ano“ Brian Hoskins
OKNOK possui uma base com 129 veículos, com todas especificações organizadas e atualizadas. Nestas últimas duas semanas entramos em contato com todos estes 129 veículos para mapear se eles já estão prontos para servir banners em HTML5.
Vamos soltar o report na primeira semana de Agosto. Assine nossa newsletter para não perder o report (adicione seu e-mail na barra acima!).

#6 – Como Motion designers que não programam vão fazer os banners?

A maneira mais simples de interpretar os banners em HTML5 é encará-los como mini sites. É um site no formato de um banner,  que contém elementos que serão animados via código.
Logo, a animação pode ser criada “na unha” sendo codificada linha a linha, mas além de não ser trivial hoje os motions designers não estão preparados para trabalhar desta maneira. Sendo assim  existem dois caminhos  para produtoras e agências:
  • Conversão de SWF para HTML5;
  • Utilização de softwares para criação do HTML5.
Conversão de SWF para HTML5
swiffy
A conversão é o caminho mais fácil, afinal, não se muda praticamente nada no processo atual. Já existem inúmeras ferramentas que realizam este trabalho como o Swiffy que é da própria Google. Basta jogar o SWF e ele te retorna um HTML5.
A má notícia é que existem diversos relatos de que a conversão não funciona. Problemas como o peso da peça ficar gigante, ou que a animação sofreu alterações são recorrentes.  Isto ficou evidente quando na palestra do Google, agências e produtoras relataram que a conversão não estava funcionando como esperado e que inclusive as próprias plataformas do Google como o GDN simplesmente não aceitavam as peças convertidas pelo Swiffy.
De acordo com o Caio Tormin, a solução do Swiffy é uma solução temporária e que em muitos casos não vai funcionar, principalmente quando as peças tem algo especial, como acontecem em peças richmedia ou que usam frameworks para suas animações.
Em resumo:  A recomendação é usar softwares para conversão apenas quando não há tempo hábil para desenvolver a peça em HTML5.
Softwares para Criação do HTML5
edgenaimte
Já existem softwares para se criar visualmente o HTML5,  além do próprio Flash CC que já exporta o HTML5, existem duas ferramentas mais maduras que são o Google Web Designer e o Adobe Edge Animate.
Fizemos alguns testes internos e conversamos com motion designers para coletar informações da experiência de uso. Estamos preparando um relatório especial sobre as ferramentas e nas próximas semanas vamos escrever um artigo especial sobre o assunto.
O que já é possível adiantar é que as ferramentas ainda estão engatinhando e longe da fluência com que é possível criar banners no Flash. Por exemplo, no Google Web Designer não existe a feature de se criar máscaras, dificultando as animações. Outro problema é que não é possível mudar o tamanho do stage, dificultando a replicação de peças com outras dimensões.
Enfim para um motion designer, acostumado com o Flash, já existem alternativas mas a transição não vai ser trivial.
Fonte: http://blog.sofist.com.br/migracao-de-banners-do-flash-para-o-html5-6-perguntas-criticas-respondidas/